Enfrente as ameaças do Inverno - CONSELHOS PARA PÔR EM PRÁTICA

Publicado em Bem-Estar

A chegada do inverno pede portas e janelas fechadas e aquecimentos ligados, condições que favorecem as mudanças bruscas de temperatura e um caldo de cultura ideal para a sobrevivência dos vírus, como a gripe. Mas esta não é a única ameaça do inverno. Descubra quais são as outras e como se defender, para que não haja surpresas e possa usufruir em pleno de mais uma estação fria.

O resfriado é a perturbação mais comum nas pessoas saudáveis, durante os meses de inverno.

Parece quase anedótico pensar que existe tratamento e cura para doenças tão graves e praticamente nada para fazer face aos calafrios, tosse, dores de garganta, febre e nariz entupido. Ainda para mais quando basta uma pessoa estar constipada para que todos em seu redor acabem com a mesma sentença. Um Deja Vu do Inverno.

E se é tão comum, por que não foi ainda consagrado nenhum tratamento como eficaz? A razão é simples: existem numerosos vírus que provocam infeções nas vias respiratórias e que têm uma enorme capacidade para se transformarem e tornarem-se resistentes aos tratamentos. Mais: existem vírus que preferem ambientes frios, precisamente na altura em que os mecanismos de defesa das vias respiratórias estão mais enfraquecidos. Por outro lado, os ambientes fechados e mal ventilados e a natural aproximação entre as pessoas favorecem o contágio.
E não nos podemos esquecer que os aquecedores domésticos e dos escritórios favorecem as mudanças bruscas de temperatura; e que as pessoas estão cada vez mais mal nutridas e entupidas de antibióticos, o que contribui para o enfraquecimento das defesas do organismo. Logo, é utópico pensar na elaboração de um fármaco que acompanhe e elimine da equação todos os fatores que resultam num resfriado ou na sua versão mais intensa: a gripe. Até porque a vacina da gripe, apesar de diminuir a probabilidade de infeção e atenuar a gravidade dos sintomas, não evita na totalidade o contágio.

CONSTIPAÇÃO OU GRIPE?

Há alturas em temos apenas uma constipação e julgamos estar com gripe. As semelhanças existem, mas as diferenças também. O estado gripal (de seu nome científico influenza) faz-se acompanhar de febres mais altas, tosse mais seca, olhos lacrimejantes, dores musculares por todo o corpo, principalmente nas costas e pernas, e a sua recuperação é mais lenta: vai de uma a duas semanas.
O tempo de incubação, em comparação com a constipação, também é maior, um a dois dias, o que significa que uma pessoa pode contaminar outras mesmo antes de ter algum sintoma.
As constipações comuns estão no oposto: costumam ter uma incubação mais rápida, começam com a sensação de ardor na garganta, seguida de espirros e de diferentes graus de mal-estar. Também podem apresentar tosse seca, mas geralmente não provocam febres, pelo menos elevadas, a não ser em lactentes e crianças pequenas ou em casos de resfriados com complicações bacterianas.

PARA ALÉM DO ESPIRRO

Apesar da gripe ser a infeção mais comum e a que mais baixas laborais provoca, existem outras complicações propícias a aparecer no inverno. E o grupo de maior risco toca os extremos: crianças e seniores.
O arrefecimento característico da estação não se resume a complicações nas vias respiratórias, pois pode incidir também no sistema cardiovascular, uma vez que o frio é vasoconstritor; e também agravar algumas doenças de carácter crónico.
As pessoas com doenças reumáticas ou articulares degenerativas são muito sensíveis às mudanças de temperatura e, embora não exista uma explicação científica clara e definitiva, comprovou-se que, em ambientes frios, a tensão muscular aumenta, o que favorece a dor.
Dolorosas são também as frieiras, outra afeção da responsabilidade do frio, que mais não são que zonas do corpo que congelam pela exposição a temperaturas muito baixas, nomeadamente os lóbulos das orelhas, nariz e dedos das mãos e dos pés.

As frieiras têm um aspeto duro e uma cor avermelhada ou violácea, tornando-se mais graves em pessoas que têm problemas de circulação ou que seguem uma dieta pobre em matérias gordas.
A melhor forma de cuidar das frieiras passa por banhos em água quente, para que “descongelem” e não passem a lesão permanente, pois as frieiras não tratadas originam uma perturbação circulatória duradoura e uma ferida local. Também podem tratar-se com pomadas, em especial as ricas em vitamina A.

INCREMENTE AS DEFESAS

Por alguma razão existem pessoas que, em contacto com alguém constipado ou engripado, por exemplo, não são alvo de contágio. Os especialistas dizem que isso se deve a um sistema imunológico mais forte e resistente. Para esse estado fisiológico forte muito contribui uma boa qualidade de vida. Os hábitos saudáveis são fundamentais para aumentar a esperança de vida e prevenir numerosas doenças.
Comer saudavelmente, dormir bem, praticar uma atividade física regular, estar dentro do peso considerado adequado, não consumir álcool em excesso, não fumar e manter um estado anímico equilibrado são os fatores considerados pelos epidemiologistas como os pilares de uma vida saudável.
Na equação do equilíbrio entram também as vitaminas. Uma das principais formas de evitar as doenças é, precisamente, fortalecendo as defesas, ingerindo, para tal, alimentos ricos em vitaminas. E todas elas são fundamentais, pois a sua carência pode provocar graves perturbações. Porém, em excesso também não são benéficas. Por exemplo, uma das vitaminas mais conhecidas no combate às constipações é a vitamina C, mas estudos comprovam que em excesso reduz a capacidade de assimilação de outros elementos essenciais, como a vitamina B12 ou o ácido fólico.

PROTEJA-SE DIA A DIA

O seu corpo pode ser protegido se adotar hábitos muito simples. Por exemplo, evite estar fechado em ambientes pouco arejados e demasiado quentes, pois quando os abandonar corre o risco de sofrer um choque térmico. Respire sempre pelo nariz e evitará, assim, que o excesso de frio chegue aos pulmões. Por último, estar bem agasalhado é um conselho antigo e muito eficaz.
Outra forma de prevenção é a vacinação anual, antes de o inverno começar. Tal não significa que a vacina evite sempre o vírus, podendo apenas ajudar a diminuir a gravidade da doença. A sua eficácia comprovada é de 70 a 90% em adultos e jovens. As crianças e os idosos são os grupos mais vulneráveis, por apresentarem menor capacidade de produção de anticorpos, pelo que a imunização é uma medida fundamental. Porém, se já fez uma reação a esta vacina, não deve repeti-la, e se estiver com febre deve adiar a sua toma.

Alivie os incómodos

 Escolha ambientes como temperaturas equilibradas: nem muito frios nem muito quentes;
 Aumente a humidade do espaço ou faça vaporizações;
 Em caso de febre, deixe-se ficar na cama, com roupas leves e cómodas;
 Em caso de tosse e/ou febre, aumente a ingestão de líquidos (água ou sumos de fruta);
 Se tem dores de garganta, evite líquidos demasiado quentes ou frios; evite também sussurrar ou falar muito alto;
 Opte por uma dieta alimentar de fácil digestão, como caldos, sopas e purés tépidos;
 Se é fumador, esta é uma boa altura para deixar de ser.

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Artigo publicado na Revista SAÚDE E BEM-ESTAR, edição nº 234

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