Alimentação Plant-based e a prevenção de inflamações
Pode uma alimentação plant-based prevenir, ou combater, inflamações?
Qualquer pessoa que tenha torcido o tornozelo, que já se tenha cortado enquanto preparava vegetais ou tenha sido picada por uma abelha, viu os efeitos da inflamação em primeira mão.
A inflamação é a resposta normal do corpo para se proteger de uma lesão, um mecanismo de defesa para combater agentes infecciosos, como bactérias, e para reparar danos nos tecidos.
A inflamação aguda é uma resposta do sistema imunitário, que normalmente dura apenas alguns dias e é normalmente benéfica para a recuperação, apesar de ser muitas vezes acompanhada de sensações desagradáveis como comichão ou dor. O seu propósito é localizar e eliminar o tecido danificado, para que o corpo possa iniciar a sua recuperação.
No entanto, foram identificados certos fatores que dificultam ou até impedem a resolução da inflamação aguda e fomentam, por sua vez, a promoção de um estado de inflamação crónica de baixo grau.

As mudanças na resposta inflamatória de curta para longa duração podem causar alterações significativas nos tecidos e órgãos, bem como na fisiologia celular normal. As consequências clínicas destes danos causados podem ser graves e incluem um risco elevado para patologias como doença cardiovascular (DCV), diabetes tipo 2, síndrome metabólico (que inclui a tríade de hipertensão, hiperglicemia e dislipidemia), doenças neurodegenerativas e autoimunes, depressão, osteoporose, diferentes tipos de cancro, entre outros.
Atualmente, as doenças inflamatórias crónicas foram reconhecidas como a causa mais significativa de morte no mundo, com mais de 50% a serem atribuídas a doenças relacionadas com a inflamação.
Para prevenir ou combater esta inflamação é essencial começar por identificar os agentes agressores e eliminar/reduzir a exposição aos mesmos. Uma dieta anti-inflamatória, em conjunto com a atividade física, sono adequando e controlo/redução do stress, pode proporcionar efeitos anti-inflamatórios importantes.
Num indivíduo saudável, a microbiota intestinal mantém uma relação simbiótica com a mucosa intestinal, sendo benéfica ao nível de funções metabólicas, imunológicas e protetoras.
O baixo consumo de frutas, vegetais e outros alimentos ricos em fibras, prebióticos e, ao mesmo tempo, uma alimentação rica em produtos refinados e ultra-processados causa uma mudança na composição e função da microbiota intestinal. Está associado ao aumento da permeabilidade intestinal e ao impacto no sistema imunitário que, em última instância, causa um estado de inflamação crónica de baixo grau.
Além disso, alimentos com elevada carga glicémica, como açúcares simples e cereais refinados, que são ingredientes comuns na maioria dos alimentos ultra-processados, aumentam o stress oxidativo e ativa os genes inflamatórios. Alimentos processados ou refinados apresentam também carências em micronutrientes anti-inflamatórios.

Estudos mostram que um nível reduzido de atividade física, está diretamente relacionado com o aumento da resistência anabólica e níveis elevados de marcadores inflamatórias (PCR e de citocinas pró-inflamatórias) em indivíduos saudáveis.
Assim, especialmente quando combinado com baixa atividade física, o consumo de alimentos processados hiperpalatáveis que são ricos em gordura, açúcar, sal e aditivos de sabor podem causar grandes mudanças no metabolismo celular e até levar à sua disfunção.
Felizmente, através de uma vida/comportamento anti-inflamatório, podemos não apenas prevenir a ocorrência de doenças futuras, mas também reverter e melhorar as condições existentes. No caso da inflamação crónica de baixo grau, ter um estilo de vida mais saudável, através da atividade física e uma alimentação equilibrada, que elege alimentos não ou apenas minimamente processados, refinados e de origem vegetal plant-based, constitui melhores resultados ao nível da saúde.
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Thordis Berger
Chief Medical Officer Holmes Place