Saúde: O que deve saber sobre a gordura abdominal

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Gordura Abdominal

Saiba quais os perigos da gordura abdominal para a sua saúde

A maior parte da gordura no nosso corpo é considerada gordura subcutânea. Esta gordura fica logo abaixo da superfície da pele e é o tipo de gordura que se pode agarrar com a mão. A gordura dentro e ao redor da nossa barriga é composta por gordura subcutânea e gordura visceral, mais conhecida como gordura abdominal.

A gordura visceral, ao contrário da gordura subcutânea, encontra-se fora do nosso alcance, perto dos nossos órgãos, no fundo da cavidade abdominal. 


A localização da gordura no nosso corpo é influenciada por vários fatores, dentro dos quais se incluem a hereditariedade e as hormonas.


A gordura acumulada na parte inferior do corpo (forma de pêra) é subcutânea, enquanto que a gordura na região abdominal (forma de maçã) é principalmente abdominal.  


A obesidade central é muito comum em pessoas idosas porque a gordura corporal é redistribuída para a região abdominal durante o processo de envelhecimento.


Em média, as mulheres na pré-menopausa têm metade da gordura abdominal dos homens; isto é devido, em grande parte, à forma do corpo.

Enquanto as mulheres, geralmente, têm mais gordura corporal total e percentual, este tecido é mais frequentemente localizado nas suas ancas e coxas devido ao seu corpo em forma de pêra, os homens têm naturalmente um corpo em forma de maçã e carregam o excesso de peso predominantemente na região abdominal. 

Gordura Abdominal

As células adiposas (células que armazenam gordura) fazem mais do que simplesmente armazenar calorias extras – sabe-se hoje em dia que estão muito mais envolvidas na fisiologia humana do que pensávamos no passado. Sabemos que o tecido adiposo age como o seu próprio órgão ao emitir hormonas e substâncias inflamatórias.


Estudos sugerem que as células adiposas - particularmente células adiposas abdominais - são biologicamente ativas. A gordura visceral produz certos bioquímicos, chamados de citocinas que podem aumentar o risco de doenças cardiovasculares, tem efeitos prejudiciais na sensibilidade das células à insulina, à pressão arterial, e à coagulação do sangue. 

Por esta razão, a gordura abdominal ou visceral em excesso está ligada a uma variedade de problemas de saúde .


É importante notar que duas pessoas com Índices de Massa Corporal (IMCs) muito semelhantes podem variar substancialmente na proporção de gordura abdominal. Desta forma, uma pessoa com um IMC considerado normal pode exceder os valores considerados seguros no que refere à gordura abdominal. Portanto, apesar de ter peso normal, uma pessoa com gordura abdominal acima da média irá ser considerada em risco de desenvolver problemas de saúde. 

A gordura visceral tem sido associada a doenças metabólicas, ao aumento do risco de doença cardiovascular e diabetes mellitus tipo 2 (DM). Nas mulheres, pode também ser positivamente associado ao cancro da mama.


A única maneira de diagnosticar definitivamente a gordura visceral é com uma tomografia computadorizada ou com uma ressonância magnética. No entanto, estes são procedimentos caros e demorados. Outro método para medir a sua própria gordura é medir a circunferência da cintura e das ancas. Esta é uma maneira fácil, embora menos exata, de medir a nossa gordura visceral. Basta medir a circunferência de ambas (cintura e ancas) com uma fita métrica e depois dividir a medida da cintura pela medida das ancas. O número igual ou maior do que 0,9 para homens, ou 0,85 para mulheres é considerado excessivo.



Exercício físico e gordura abdominal 

A boa notícia é que a gordura visceral perde-se com facilidade através de exercício físico e dieta, com benefícios que se manifestam desde a pressão arterial até ao colesterol. Considere praticar fitness regular de intensidade moderada - pelo menos 30 minutos por dia (e talvez até 60 minutos por dia) para controlar o peso.


Treino de força (exercício com pesos) também pode ajudar a combater a gordura abdominal.


Exercício isolado, como fazer abdominais, poderá tonificar os músculos abdominais, mas não vai eliminar a gordura visceral.


A dieta é também importante. Preste atenção ao tamanho das porções e privilegie hidratos de carbono complexos (frutas, vegetais e grãos integrais) e proteína magra em vez de hidratos de carbono simples, como pão branco, massa de grãos refinados e bebidas açucaradas. Também ajuda substituir gorduras saturadas e gorduras trans por gorduras polinsaturadas.


Referências Bibliográficas


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  4. Chakraborty D et al. Fibroblast growth factor receptor is a mechanistic link between visceral adiposity and cancer. Oncogene. 2017 (36) 6668–6679


Thordis Berger

CMO - Chief Medical Officer - Portugal

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