Fitness: A importância do descanso dos músculos (overtraining)

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Homem a fazer remo | Overtraining | Fitness | Holmes Place

Quando existe um excesso de volume de treino em relação ao período de descanso, poderá estar em overtraining.

Cada vez mais o culto do corpo e o exercício físico entram na vida das pessoas e, consequentemente, está a entrar para a rotina que a sociedade impõe. Isto poderá gerar overtraining.


Mais do que começar a ser um indivíduo mais ativo, queremos aproximarmo-nos do que se entende como atleta, estipulando objetivos ambiciosos e treinando com mais rigor e disciplina. Entre querermos melhorar o nosso desempenho e conquistar o “corpo ideal”, os potenciais atletas e os próprios atletas esquecem-se de algo tão importante como o treino: o descanso.


No treino damos um estímulo ao nosso corpo e esses ganhos acontecem no período de descanso, em que o nosso corpo faz reposição energético e potencia o crescimento muscular.


Depois temos tendência a seguir “descansos standard” porque queremos atingir determinado objetivo e seguimos aquilo que é estipulado, seja porque pesquisamos sobre o tipo de treino que estamos a realizar, seja porque alguém nos disse. Não está certo, mas também não está errado. É importante termos consciência que cada indivíduo é difererente entre si e o tempo de descanso difere entre si, também.


O que é o overtraining?


O que acontece, mais vezes do que era suposto, nos atletas é um excesso de volume de treino, comparativamente, ao período de descanso. Isso dá origem a períodos de fadiga extrema e é ao que se chama fase de Overtraining.


A palavra e o significado de Overtraining é algo que ainda não é muito falado, porque o primeiro impacto é ser considerado “demasiado cansaço” ou “cansaço acumulado”. Overtraining é o que chamamos quando o esforço supera a capacidade de resposta do organismo, criando agressões e stress ao mesmo, físicas e psicológicas. Geralmente, acontece quando os atletas estão em preparação para provas, em que exageram no volume de treino comparativamente aos períodos de descanso. As consequências poderão não ser só de ordem muscular, mas também articular, que afeta o sistema imunológico, e de aspeto psicológico.


A origem do overtraining está diretamente relacionado com a teoria da sobrecarga em que assenta o princípio da sobrecarga progressiva, afirmando que as reservas energéticas gastas durante o processo de contração muscular (treino) são repostas apenas no período de recuperação/ descanso. Se esse período de recuperação não existir, não haverá reposição dessas mesmas reservas energéticas, entrando num défice energético. 


Homem exausto após treino | Overtraining | Holmes Place



Quais os sintomas?


De uma forma mais prática, os sintomas de excesso de treino são generalizados, daí tambem se associar à palavra mais comum: “cansaço”. São esses: fadiga, depressão, insónias, dificuldade de concentração, tonturas, variações do ritmo cardíaco, alterações de apetite, ansiedade crescente, espasmos musculares, irritabilidade, sensação de enfartamento ou “aperto na garganta”, sudação quando em repouso, perda da qualidade de sono, dores articulares e musculares. Sente-se mais dor em período de descanso que em período de esforço físico, uma vez que as endorfinas produzidas durante o exercício superam o limiar dos receptores opióides (controlam a sensação de dor) e inibem a perceção de dor.


Além dos sintomas físicos, que são visíveis ao primeiro olhar, temos as causas fisiológicas e metabólicas, que deverão ser controladas, para posterior reposição de níveis energéticos, evitando desenvolvimento de alguma patologia mais grave: 


- elevação do nível do cortisol

- défice de proteínas

- catabolismo ( reacção química que impede a capacidade de produzir energia) supera o anabolismo (reação de síntese de substâncias)

- stress no sistema nervoso que provoca distúrbios hormonais


Qual a solução?


Como podemos tratar um caso de Overtraining? Será fundamental reduzir, drasticamente, o volume de treinos, sendo que em casos mais graves, poderá ter de exisitr um interrupção total de atividade física. Terá de existir um equilíbrio na resolução desta patologia entre treinador/personal trainer, médico que acompanha o indivíduo, fisioterapeuta, psicólogo e também nutricionista, uma vez que o futuro do atleta estará condicionado à recuperação que será realizada.



Para que algo como o overtraining não aconteça, um atleta deve ter um bom acompanhamento por parte do treinador/ personal trainer, que deverá ter a sensibilidade de acompanhar o processo de recuperação do corpo desse mesmo atleta, não só em momentos de treino mas, principalmente, em momentos de repouso. Não se trata de invadir a privacidade ou vida do atleta extra treino e competições, mas sim uma preocupação com o processo de regeneração energética, que tem de existir para que os resultados de aumento de performance sejam alcançados.


E a isto temos de juntar uma alimentação equilibrada, com uma dieta estruturada e aí o acompanhamento de um nutricionista é fundamental não só para obtenção de resultados, mas também para não se cair em défice energético. Concluindo, é importante ter consciente o triângulo da saúde equilibrindo exercício, descanso e alimentação. Sobre estas 3 bases, o atleta irá aumentar o seu rendimentos nos treinos e, consequentemente, atingirá valores de performance mais altos, que trará resultados rápidos e eficazes.


Referências Bibliográficas:

http://globoesporte.globo.com/eu-atleta/saude/guia/overtraining-e-seus-efeitos-cuidado-para-nao-exagerar-nos-treinamentos.html 

https://www.prozis.com/blog/pt-pt/overtraining-sintomas/ 

http://www.clube-fitness.com/artigo/importancia-descanso-musculacao

https://www.portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/direito/a-importancia-do-descanso-entre-os-treinos/32074


Ana Rita Teixeira

Personal Trainer e Group Trainer Holmes Place Coimbra


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